Tesouro Direto vs CDB: qual rende mais em 2026
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Tesouro Direto é título público federal, garantido pelo Tesouro Nacional, com taxa de custódia B3 de 0,2% a.a. CDB é título de banco, com garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição, e geralmente sem custódia. Os dois pagam o mesmo IR regressivo (22,5% a 15%). Para reserva de emergência, Tesouro Selic costuma ganhar pela segurança e liquidez. Para prazos de 1 a 3 anos, CDB acima de 100% do CDI tende a render mais.
Tesouro Direto: tipos e garantia soberana
O Tesouro Direto é o programa do Tesouro Nacional para venda de títulos públicos a pessoa física, criado em 2002. Em 2026 existem três tipos principais negociados na plataforma:
Tesouro Selic (LFT): paga a taxa Selic acumulada do período. Não tem volatilidade: o valor de mercado sobe todo dia conforme a Selic acumula, e o resgate antecipado nunca causa perda nominal. É o título usado para reserva de emergência por uma boa parte dos investidores.
Tesouro IPCA+ (NTN-B): paga IPCA + taxa pré-fixada (em 2026, em torno de IPCA + 6% a.a. para vencimentos longos). Garante poder de compra real e é a escolha mais comum para aposentadoria de longo prazo. Tem volatilidade: o preço oscila no mercado e quem vende antes do vencimento pode ganhar ou perder.
Tesouro Prefixado (LTN): taxa fixa definida no momento da compra (em 2026, em torno de 11% a.a. para vencimentos de 2030). Sem proteção da inflação. Faz sentido em cenário de queda esperada da Selic, mas com risco se a inflação subir.
A garantia é soberana: quem responde pela dívida é o Tesouro Nacional. Em 70 anos de história moderna, o Tesouro nunca deixou de pagar a dívida em real. Por isso o título é considerado o ativo mais seguro do Brasil, com risco menor que qualquer banco.
CDB: tipos e garantia FGC
CDB significa Certificado de Depósito Bancário, e é um título emitido por banco para captar dinheiro. Quem compra um CDB está emprestando para o banco a uma taxa combinada. Três tipos comuns:
CDB pós-fixado: rende um percentual do CDI (que historicamente fica bem próximo da Selic, com diferença de 0,1 ponto). Os bancos grandes oferecem 90% a 100% do CDI. Bancos médios e plataformas digitais chegam a 110%, 115% ou até 120% do CDI para prazos longos. É o formato mais comum e o que faz sentido comparar com Tesouro Selic.
CDB prefixado: taxa fixa, como o Tesouro Prefixado. Faz sentido nas mesmas situações.
CDB IPCA+: IPCA + taxa pré-fixada. Equivalente ao Tesouro IPCA+, mas emitido por banco.
A garantia do CDB é o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), instituído pela Lei 9.069/1995 e regulamentado pela Resolução CMN 4.222/2013. O FGC cobre até R$ 250.000 por CPF por instituição financeira, com teto global de R$ 1 milhão a cada 4 anos. Acima de R$ 250 mil num único banco, o investidor perde a parte excedente em caso de quebra.
Na prática, o FGC dá tranquilidade para investir em CDB de bancos médios e pequenos, que pagam taxas bem mais altas. Quem mantém o valor por banco abaixo de R$ 250 mil pode pegar 115% ou 120% do CDI sem assumir risco significativo.
Tributação: a mesma para os dois
Tanto Tesouro quanto CDB seguem a mesma tabela regressiva do IR sobre rendimento (não sobre o capital aplicado), prevista pela Lei 11.033/2004:
| Prazo do investimento | Alíquota IR |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| 181 a 360 dias | 20% |
| 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
O IR é cobrado no resgate ou no vencimento, retido na fonte pela corretora ou pelo banco. Não precisa declarar pagamento mensal de IR sobre rendimento.
Existe também IOF regressivo nos primeiros 30 dias, regulamentado pelo Decreto 6.306/2007. No dia 1 a alíquota é de 96% sobre o rendimento; no dia 30 cai para 0%. Resgate em menos de 30 dias come quase tudo que rendeu, e por isso a recomendação prática é: nada que não dê para deixar pelo menos 30 dias.
A simetria tributária é importante porque elimina a tributação como critério de escolha. Os dois pagam o mesmo IR e o mesmo IOF. A escolha fica entre rentabilidade bruta, garantia, liquidez e custo.
Custos e liquidez: as diferenças que importam
Custos do Tesouro Direto:
- Taxa de custódia B3: 0,2% a.a. sobre o valor investido. Cobrada semestralmente. O Tesouro Selic é isento de taxa de custódia para investimentos de até R$ 10.000, regra em vigor desde 2022 e mantida em 2026.
- Corretora: a maior parte das corretoras (XP, Rico, Clear, NuInvest, Inter) não cobra taxa de corretagem em Tesouro Direto.
Custos do CDB:
- Custódia: geralmente zero. Algumas corretoras cobram custódia para CDB de banco pequeno, vale conferir antes.
- Sem taxa de administração.
Liquidez:
- Tesouro Selic: liquidez D+0 ou D+1 (o dinheiro cai na conta em até um dia útil). Compra ou vende em qualquer dia útil, em qualquer horário, com poucos minutos para confirmar.
- CDB: depende do produto. CDB com “liquidez diária” pode ser resgatado a qualquer momento. CDB com prazo de 1, 2 ou 3 anos só permite resgate no vencimento. Alguns bancos oferecem “saída antecipada” com perda de rendimento.
A regra rápida: quem quer flexibilidade total fica no Tesouro Selic ou em CDB com liquidez diária. Quem aceita travar o dinheiro consegue taxas maiores em CDB de prazo fixo.
Quando cada um ganha (exemplo numérico)
Vale o exercício concreto. Cenário: R$ 10.000 investidos em 2026 por 2 anos, com Selic a 11% a.a. e CDI também perto de 11% a.a.
Tesouro Selic:
- Rendimento bruto em 2 anos: R$ 10.000 × (1,11)² − R$ 10.000 = R$ 2.321.
- IR de 17,5% (faixa 361 a 720 dias) sobre R$ 2.321 = R$ 406.
- Custódia B3 de 0,2% a.a. por 2 anos sobre saldo médio: ~R$ 42.
- Líquido aproximado: R$ 11.873.
CDB 110% do CDI (taxa efetiva 12,1% a.a.):
- Rendimento bruto em 2 anos: R$ 10.000 × (1,121)² − R$ 10.000 = R$ 2.566.
- IR de 17,5% sobre R$ 2.566 = R$ 449.
- Sem custódia.
- Líquido aproximado: R$ 12.117.
Diferença a favor do CDB: cerca de R$ 244 em 2 anos. Faz a diferença quando o valor sobe: em R$ 100 mil pelo mesmo prazo, a diferença passa de R$ 2.400.
A regra prática: CDB acima de 100% do CDI tende a ganhar do Tesouro Selic para prazos de 1 a 3 anos, especialmente em valores acima de R$ 10 mil (onde a custódia B3 já entra). Abaixo de R$ 10 mil, o Tesouro Selic isento de custódia ainda compete bem.
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Reserva de emergência: o caso mais comum
A reserva de emergência tem três requisitos: segurança, liquidez e baixo risco. Para a maioria dos perfis, Tesouro Selic ganha esse jogo:
- Risco soberano (mais seguro que qualquer banco).
- Liquidez D+0/D+1 sem perda nominal.
- Sem teto FGC: pode acumular R$ 1 milhão no mesmo título sem se preocupar com garantia.
- Custódia zero até R$ 10 mil.
O CDB de liquidez diária de grande banco é alternativa próxima, com a vantagem de poder estar na mesma conta corrente. Para valor até R$ 250 mil em um único banco, o FGC cobre. A escolha entre os dois vira preferência operacional.
Para valor acima de R$ 250 mil, diversificar entre bancos diferentes (cada um abaixo do teto FGC) ou ir direto para Tesouro Selic. Concentrar tudo em um CDB de banco médio acima do teto FGC é o erro mais caro que se pode cometer em renda fixa.
Fontes oficiais
- Tesouro Direto — portal oficial — tipos de títulos, taxas vigentes, custódia.
- FGC — Fundo Garantidor de Créditos — regras de cobertura por CPF e por instituição.
- Lei 9.069/1995 — institui o FGC.
- Lei 11.033/2004 — fixa a tabela regressiva de IR para renda fixa.
- Decreto 6.306/2007 — regulamenta o IOF, incluindo o regressivo dos 30 dias.
- Resolução CMN 4.222/2013 — regulamenta a cobertura do FGC.
- Banco Central — Calculadora do Cidadão — simulador oficial de aplicações financeiras.
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